Chefe do PCC namorado de delegada vendia armas, drogas e era 'braço forte' da facção em RR
18/01/2026
(Foto: Reprodução) Presa em São Paulo delegada que tinha sido empossada em dezembro
O chefe do Primeiro Comando da Capital (PCC) Jardel Neto Pereira da Cruz, de 28 anos, atuava em Roraima como um “braço forte” da facção, com envolvimento na venda de armas e drogas, segundo investigação da Polícia Federal. Ele é namorado da delegada Layla Lima Ayub, presa em São Paulo por advogar para o grupo criminoso.
Conhecido como "Dedel" e "Vrau Nelas", Jardel chegou a ser preso em Roraima em 2021 numa ação da Força Integrada de Combate ao Crime Organizado (Ficco), trabalho coordenado pela PF. Atualmente, Jardel está solto.
A investigação apontou que ele foi enviado de São Paulo para fortalecer as lideranças estaduais e fomentar ações violentas da facção no estado.
"Este indivíduo seria um braço forte da ORCRIM [organização criminosa] – PCC, no âmbito da representação regional no Estado de Roraima, ostentando a função de Geral do Estado e atuando no setor da disciplina da referida facção criminosa. Além disso, seria um dos responsáveis pelo comércio de arma de fogos e drogas para outros membros da ORCRIM e atuaria como conselheiro no Tribunal do Crime do PCC", cita trecho da investigação da PF.
Entenda: "Geral do Estado" é um cargo de liderança regional do PCC, responsável por coordenar a atuação da facção e participar da definição de regras e punições internas.
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A investigação da PF resultou na condenação de Jardel a oito anos de prisão. Ao longo do processo, o Ministério Público de Roraima (MPRR) reforçou as acusações.
"O denunciado se autodeclarou como companheiro da organização criminosa – PCC, ratificando o apoio às lideranças regionais da referida facção criminosa", cita trecho da denúncia que levou à condenação, assinada pelo promotor Carlos Alberto Melotto.
Treinamento para torturar
Na mesma investigação, a PF disse que o acusado recrutava adolescentes para a facção criminosa por saber que a legislação prevê punições mais leves para essa faixa etária, o que dificultaria a responsabilização penal.
Suspeito ensina tortura a jovens
Além disso, ele ensinava técnicas de tortura para jovens da facção. Um vídeo publicado nas redes sociais Jardel aparece mostrando a jovens como bater nas mãos com pedaço de madeira. O vídeo foi postado com a legenda "Aqui o chicote estala" (Veja o vídeo acima).
Além disso, foi identificado que ele publicava fotos nas redes sociais fazendo um gesto com três dedos, em referência ao PCC.
Entre as atuações dele em Roraima, segundo a PF, estavam cobranças a integrantes locais do PCC por posturas mais agressivas, incluindo a articulação de ataques contra autoridades do Judiciário, do sistema penal e das forças de segurança.
Delegada Layla Lima Ayub e o namorado Jardel Neto Pereira da Cruz, chefe do PCC em Roraima
Instagram/Reprodução
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Apologia ao PCC em fotos
Jardel é natural de Santa Inês, no Maranhão. A PF afirma no inquérito de 2021, que ele publicava fotos com o gesto conhecido como "Tudo 3", em apologia ao PCC. Dedel tem tatuado o símbolo "yin e yang", também associado à facção.
"O estatuto/regulamento do PCC onde consta em seu item 2: 'Lutar sempre pela paz, justiça, liberdade, igualdade e união, visando sempre o crescimento da organização, respeitando sempre a ética do crime", cita parte do documento.
Jardel costumava usar frases reflexivas como legenda nas publicações, quase sempre acompanhadas de emojis de palhaço. Em uma delas, escreveu: "Penso Como Um Assassino Vivo Como Um Psicopata Executo As Minha Ações Como Um Bom Calculista Que Sou, E Depois Apenas Relaxo E Vejo Sangue Escorrendo Entre Os Dedos Forte Leal Abraço”.
A PF ressaltou que “Forte Leal Abraço” , também corresponde a um termo de tratamento entre os integrantes do PCC.
Prisão da delegada
A delegada Layla Lima Ayub foi presa durante uma operação do Ministério Público de São Paulo que investiga a infiltração do crime organizado em estruturas do Estado.
Segundo a investigação, ela mantinha vínculo pessoal e profissional com integrantes do PCC e teria exercido irregularmente a advocacia mesmo após tomar posse como delegada, em dezembro de 2025.
De acordo com o Ministério Público, Layla e Jardel são investigados pelos crimes de organização criminosa e lavagem de dinheiro. A Justiça decretou a prisão temporária do casal e autorizou o cumprimento de mandados de busca e apreensão em São Paulo e no Pará.
Na cerimônia de posse da delegada, realizada no Palácio dos Bandeirantes, sede do governo paulista, Jardel Neto Pereira da Cruz apareceu ao lado dela. Ele é apontado por autoridades da Região Norte como um dos chefes do tráfico de armas e drogas ligados ao PCC em Roraima.
As investigações também apuram a compra de uma padaria na Zona Leste de São Paulo com dinheiro de origem ilícita, supostamente em nome de um “laranja”, para ocultar a real propriedade do negócio.
Jardel Neto Pereira da Cruz, de 28 anos, conhecido como "Dedel" e "Vrau Nelas"
Reprodução/Instagram
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